Na obra “Preservação de fotografias: métodos básicos para salvaguardar suas coleções” (2001), os autores Mustardo e Kennedy apontam que os fatores que contribuem para a deterioração das fotografias são: as áreas de armazenamento inadequadas, os materiais de acondicionamento de baixa qualidade, a prática de manuseio inapropriadas, a incidência de agentes biológicos e as características intrínsecas de deterioração e de exposição.

Desta forma, é preciso considerar a umidade relativa e temperatura dentro dos locais onde são armazenados os registros fotográficos. Assim, a umidade acima de 60% estimula a germinação de esporos de fungos, inchamento e amolecimento de alguns aglutinantes e inferior a 30%, a deformação física das fotografias. Os autores recomendam um parâmetro moderado (20°C com variação de ± 2°C) e a umidade relativa entre 35 - 45% com variação de ± 5% em períodos de 24 horas, evitando qualquer tipo de variações cíclicas. A norma ANSI IT9.11.1991 citada por Reilly (2001) indica uma temperatura máxima de 2°C para armazenamento de filmes coloridos a longo prazo.

Dentre os agentes biológicos que podem danificar objetos fotográficos, podemos citar: fungos (que podem causar manchas e deteriorações do suporte), insetos e roedores (que mastigam o suporte fotográfico). A qualidade do ar é outro fator importante, pois os compostos químicos transportados pelo ar (presentes na queima de combustíveis fósseis, óleos e carvão) e suas combinações com a umidade, colaboram no deterioro dos registros fotográficos.

Para fins de preservação, os materiais em contato direto com as fotografias devem ser da mais alta qualidade, protegendo a imagem contra impressões digitais, dobras e abrasões. Finalmente, o fator humano responsável pela degradação do material devido ao manuseio, falta de cuidado, negligência, acidentes evitáveis, tentativas de conservação desastradas ou mal informadas e até mesmo danos intencionais. A estes exemplos devemos acrescentar os casos de superexposição causados por exibições prolongadas, perdas catastróficas devido às péssimas condições de armazenamento e à ocorrência de desastres, sem que haja um plano de emergência satisfatoriamente elaborado. Desta forma, somente o treinamento apropriado a consciência da complexidade e do valor histórico das coleções fotográficas poderão assegurar a preservação da memória visual e cultural da comunidade.

 

Fonte: SANTOS, Andrea Gonçalves dos. Acervos fotográficos do Rio Grande do Sul: Acesso às fontes de pesquisa. Monografia apresentada como requisito para obtenção do grau em especialista em Gestão de Arquivos. Universidade Federal de Santa Maria - UFSM/PPGGA, 2009.